Videmonte está a cerca de mil metros de altitude na serra da Estrela, mas a praia fluvial é num vale profundo, escolhido pelo rio Mondego, poucos quilómetros após a nascente. O espaço de lazer está envolvido pela natureza, num ambiente calmo e tem estruturas de apoio.A praia fluvial fica próximo de um lugar chamado Quinta da Taberna, um pequeno povoado quase todo abandonado, e que deu o nome ao espaço de lazer, inaugurado em 2019.
O Mondego surge muito calmo, há uma pequena queda de água e depois o rio alarga-se num espaço que foi murado para servir de espelho de água quando fecham o açude.
“É sempre muito calmo. Como estamos no meio da serra é tranquilo.” A descrição é de Madalena e Diogo Prata. Falei com eles antes do Verão. Estavam com a família a fazer um piquenique no parque das merendas, uma zona ajardinada, com equipamentos de apoio e com vista para o espelho de água.
“Normalmente no Verão fica cheia. Hoje está muito calmo. No Verão há dias em que a temperatura da água fica muito agradável. Como parte da água fica estancada, se estiver um dia com muito sol a temperatura da praia fica agradável.”
A água do Mondego é límpida e as margens são sinalizadas com árvores que acompanham o percurso do rio.
As encostas da serra também são verdejantes.
Há apenas um pequeno núcleo de casas de xisto que foi restaurado e preserva a traça e os materiais tradicionais de construção.
Madalena e Diogo vivem na Guarda, costumam ir a Videmonte, a origem da família, e raramente resistem à atração da praia fluvial. “Temos vindo desde pequenos e assistimos à transformação do local que antes era mais isolado. Mas, continuamos a gostar apesar da transformação que sofreu.”
Na reconversão do espaço foi preservado o ambiente bucólico abençoado por uma santinha, Nossa Senhora da Taberna, que está no interior de um nicho rústico de pedra mesmo junto ao rio.
A praia fluvial e Videmonte fazem parte do Parque Natural da Serra da Estrela e a aldeia está a cerca de 22 km da Guarda.
A beleza natural da praia fluvial Quinta da Taberna na serra da Estrela faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.
Videmonte tem coisas maravilhosas: Um lar de seniores melhor que muitos hotéis, Uma igreja matriz em vias de classificação como Património de Interesse Cultural Nacional; as belezas naturais de que a praia fluvial e os, recentemente, inaugurados passadiços são exemplo vivo.
Videmonte tem uma ANTIQUISSIMA história que urge divulgar. Nome original, segundo os registos existentes é *VITEMUNDI* como o texto (resumo) abaixo demonstra.
A dita “lenda das formigas” é uma total adulteração depreciativa do que foram os comportamentos dos antepassados desta localidade e que urge desmistificar.
Em “Videmonte – Wikipédia, a enciclopédia livre” encontra-se o seguinte texto, com as respetivas fontes factuais:
História e Etimologia
Todas as terras têm suas lendas, com o valor próprio de cada uma delas, fazendo, por isso, parte das suas culturas, mas não são a sua história. É o caso de Videmonte com a lenda das formigas, que reza:
“Antigamente havia dois locais distintos – Vide e Monte. Vide estava localizada no atual lugar de Barrelas. Não muito afastada ficava a Quinta do Monte onde morava um fidalgo. O dito fidalgo deslocava-se todos os domingos a Vide para assistir à missa. Num ano remoto, durante o Verão, apareceu uma praga de formigas gigantes que atacou a população, chegando inclusivamente a matar algumas crianças. Obrigadas a protegerem-se, as pessoas refugiaram-se no Monte onde vivia o fidalgo. Desta junção resultou o termo, desde então utilizado – Videmonte.[5]”
Esta lenda repete-se em, pelo menos, 11 localidades na zona raiana, havendo vários pesquisadores a chegarem à conclusão de que as formigas se tratavam, na realidade, dos exércitos romanos vistos de longe. Portanto, segundo a lenda e a teoria dos exércitos romanos, pode-se concluir que Videmonte já existia na altura da ocupação romana da Península Ibérica.
O fidalgo de que fala a lenda, efetivamente, existiu. Fidalgo cavaleiro do reino, de nome Afonso Pires, de alcunha “o Gato”, foi tenente do reino e governador da Guarda em 1207. Nas inquirições gerais (1220 – 1397) de D. Afonso III e D. Diniz, em concreto no ano de 1258, referidas ao julgado de Linhares, é dado conta que o lugar «aldeia» de Menouta, em Vite Montis, era propriedade do referido cavaleiro[6].
A avaliar pela toponímia de toda a envolvente a Videmonte, o povoamento desta freguesia é muito anterior ao Séc. XIII. O seu próprio nome terá, segundo vários investigadores, origem pré-romana ou mesmo a remontar à idade antiga.[7]
No seculo XII, Videmonte, que pertencia ao Concelho de Linhares, com foral atribuído em 1169 por D. Afonso Henriques, tinha a designação do latim antigo ou arcaico de VITE MONTIS, conforme registos[8][9].
Quando foi atribuído o foral à Guarda, por D. Sancho I, no ano de 1199, a cidade obteve, também, a designação de diocese com sede em Idanha-a-Velha, daí o título de “egitaniense”, e uma das paróquias que transitou da diocese de Coimbra para esta foi a de Videmonte cuja designação completa era a Seguinte: “parreochialem eclisiam Santi Johannes de Vite Montis”[7]
Viriato Simões coloca a hipótese das populações residentes no castro de Tintinolho (Guarda) terem fugido para a Serra de Bois (Videmonte), quando das primeiras invasões romanas a estes territórios no século III d.C.[10]
A grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira identifica como sendo de origem germânica o nome do Rei visigodo Vitterico, Witerico ou Vitericus[11].
Segundo vários investigadores, tais nomes são sucedâneos e da mesma origem da do guerreiro lusitano Viriato *Viri Athus* (181-147 a.C.) cujos significados são: forte, famoso e líder.
Também o Dicionário Histórico, Chorográfico, Bibliográfico, Heráldico, Numismático e Artístico regista tais factos históricos desta localidade[12].
O filósofo e linguista alemão, Joseph-Maria Piel, defende como sendo de origem etimológica germânica, na Lusitânia, o nome de *Vitemundi* – Videmonte do concelho da Guarda, desde a extinção definitiva do de Linhares em 1855