Natureza selvagem. Águias, grifos ou cegonhas-pretas, procuram abrigo nas escarpas esculpidas pelo rio Ponsul e pela força do choque de placas tectónicas.
A Falha do Ponsul, entre Vila Velha de Ródão e Monfortinho, tem cerca de 300 milhões de anos, prolonga-se por cerca de 120 km e pode ser observada em vários miradouros e trilhos, alguns fáceis de percorrer.
A Falha do Ponsul é mais espetacular na região das portas de Ródão e junto a Idanha-a-Nova.
Num dos extremos encontramos o Arneiro e a inigualável paisagem do conhal, das antigas minas romanas e as monumentais Portas de Ródão.
De barco ou em trilhos há vários percursos deslumbrantes. Do “castelo do rei Vamba” temos uma perspetiva ampla das Portas e do Arneiro.1
“Nos graníticos de Idanha-a-Nova a escarpa é perfeitamente vertical”, descreve Orlando Ribeiro.O famoso geógrafo português percorreu “a pé o acidente em toda a extensão, desde Vila Velha de Ródão a Monfortinho” e publicou os estudos em várias edições na década de 40.
Nesta zona da falha, a vila de Idanha-a-Nova é sobranceira no planalto, cerca de 150 metros mais alto do que a planície para onde espreita. O rio Ponsul marca a divisão e corre num vale estreito e escarpado.
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De um lado granito, pedras enormes em ginástica circense, para se manterem coladas à escarpa.
Aves de grande porte vigiam os intrusos.
Uma antiga estrada romana ladeia a estrutura rochosa vertical, em direção a Idanha, e revela igualmente o engenho humano que aproveita pequenos declives para construção de casas.
No outro lado, a paisagem é aberta, leva-nos para o Alto Alentejo, a Extremadura espanhola e a planura das antigas searas.
Junto a Idanha, no lugar da Senhora da Graça e da ponte estreita sobre o rio Ponsul, há um troço do PR8 que nos leva ao “Barroco do Boiteco”. Na verdade, descemos até ao leito do rio e à base das escarpas.
No castelo de Idanha temos uma vista ampla, tal como em outras fortificações como as de Penha Garcia, Castelo Branco e o já citado “castelo do rei Vamba” em Vila Velha de Ródão.
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Nas palavras de Orlando Ribeiro, “este gigantesco degrau na paisagem” atravessa quatro concelhos: Nisa, Vila velha de Ródão, Castelo Branco e Idanha-a-Nova, ao longo de 85 km. Os restantes 40 km é em território espanhol.
Um dos fios condutores é o rio Ponsul. Aproveita a falha para definir o seu rumo apenas numa parte do seu percurso..
Nasce nas escarpas de Penha Garcia, atravessa serenamente Idanha-a-Velha, alarga-se numa barragem e depois de Idanha atravessa várias “gargantas retilíneas e profundas durante sete quilómetros (…) e segue então o pé da falha numa extensão de 20 quilómetros até que, num cotovelo brusco, muda de direção, N-S e alcança o Tejo por um vale direito de vertentes abruptas”, depois do cais de Lentiscais.
Se no passado desenhou escarpas, agora, com as alterações climáticas, tem algum dificuldade em assegurar um curso permanente em verões mais quentes.
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Por outro lado, sofre as consequências de algumas culturas intensivas que surgiram na região.
Outro fio condutor é o “degrau” na paisagem que resultou da tensão provocada pela aproximação de placas tectónicas. Foi há cerca de 10 milhões de anos e o processo ocorreu em simultâneo com a formação dos Alpes.
A Falha do Ponsul, com atividade sísmica, continua ativa. Como escreve Carlos Neto de Carvalho, em Os Geomonumentos do Geopark Naturtejo Mundial da Unesco, é um gigante adormecido que cruza por mais de uma centena de quilómetros esta parte da Meseta Ibérica, a qual se estende daqui até bem para dentro da Extremadura.”
Esta é uma das melhoras alturas para se visitar as várias regiões atravessadas pela falha. A temperatura amena, o ondulado colorido das flores silvestres e a presença de aves de grande porte, conjugam várias atrações.
No caso de Vila Velha de Ródão junta-se uma exposição de fotografias do Tejo até à década 60, na biblioteca local, e dedicada ao tema: Tejo acima – memórias antigas. A entrada é gratuita e a exposição é da autoria da Confraria Ibérica do Tejo a quem foram cedidas as fotografias pelas Câmaras Municipais ribeirinhas do Tejo – incluindo as espanholas de Toledo, Talavera de la Reina e Aranjuez.