Ergue-se imponente, próximo da ponta da ilha, desafiado por uma falésia arrepiante. Abandonado, mas resiste. O farol dos Rosais ainda avisa quem passa ao largo da cabeça do dragão, o extremo norte da ilha de S. Jorge.

É de barco que temos uma perspetiva mais realista e dramática do perigo instável do farol, com as falésias rochosas, escuras, frias.

Ficaram assim devido à erosão dos ventos ciclónicos, húmidos e após um sismo em 1980 ter abalado a Ponta dos Rosais.

Pequenos ilhéus procuram agigantar-se como o farol, cilíndrico, com os seus 27 metros de altura situado no topo da arriba, a mais de 200 metros de altitude, um dos pontos mais altos da ilha de S. Jorge.

O acesso por terra oferece uma perspetiva global porque a Ponta dos Rosais é um enorme planalto vestido de verde e com linhas desenhadas pelo cultivo do homem.

Outra linha bem visível nas imagens aéreas é a estrada de terra batida, um castanho avermelhado, contrastante com o verde da vegetação.
A partir do Parque Florestal das 7 Fontes é sempre em frente.
A cerca de um quilómetro do final da estrada vemos o topo do farol. Escondido entre a copa de árvores.

O farol está abandonado. Uma cerca e uma grade metálica impedem a nossa entrada, acompanhada de várias placas que alertam para o perigo de derrocada.

A torre está no centro de um conjunto de casas rasteiras, esventradas, sem janelas e portas.
O abandono deu-se após vários sismos, em particular o de 1980, e de temporais que ajudaram ao aluimento de terras.
30 anos após ser construído ficou à sua sorte e avisa quem passa com uma lanterna alimentada por energia solar.

Miradouro da Vigia da Baleia e do céu

Temos uma excelente visão de conjunto do farol a partir do Miradouro da Vigia da Baleia.
É mais ou menos da mesma data do farol e faz arte de um conjunto de vigias nas ‘ilhas do triângulo’, muitos deles associados à empresa baleeira de São Roque do Pico.

Tradicionalmente eram construções redondas, caiadas de branco. A que vamos aceder foi recuperada em 2015 pela Junta de Freguesia dos Rosais, assim como a rampa que nos ajuda a subir ao ‘céu’.

A vista é sublime. Vale a pena ficar uns longos minutos para acompanhar a dança das nuvens a encantar o Pico com o oceano a seus pés, ou as tonalidades cinzentas que se refletem no lençol marítimo que acomodam a ilha do Faial.
Com boas condições atmosféricas o olhar vai até à ilhas Graciosa e da Terceira.

No regresso, a mensagem do farol é a designação de uma planta rara que se pode descobrir no caminho: ‘não-me-esqueças’.
No concelho da Calheta há outro miradouro da Vigia da Baleia.

Parque Florestal das 7 Fontes e da acalmia

Para completar o roteiro, deixamos o movimento telúrico, as tempestades e os ventos ciclónicos da Ponta dos Rosais e acomodamo-nos no Parque Florestal das 7 Fontes.
Marca a fronteira com a estrada de terra batida até ao farol e, em contraponto, entramos em longas alamedas, asfaltadas, de criptomérias.

Entre lagos e sombras vemos ainda fetos, flores e um verde exuberante, resultado da confluência e várias ribeiras.
Os recursos hídricos eram ainda aproveitados pelas lavadeiras. Os tanques continuam no local para memória.
Também a fé está presente. Com a ermida de S. João Baptista. E fado das ilhas: a emigração, com a evocação através de um monumento.

Numa das estradas de ligação à EN3 a caminho de 7 Fontes, pode encontrar o Chico.
É já uma celebridade.

Um cavalo branco que anda à solta num amplo espaço verde, muito sociável, mais ainda se lhe derem pão. Comeu sem glúten e gostou.

Olhe também para uma elevação da ilha, na borda do mar, a querer elevar-se, num salto de gigante, em direção ao Pico.

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