As fajãs são uma nesga de oportunidade. Onde do quase nada se faz um lugar, uma casa, uma rua ou um pequeno aglomerado urbano.

Os limites são quase impossíveis de ultrapassar. Em frente está o mar; nas (en)costas uma serra tão ingreme que até caminhar é difícil, quanto mais residir.

Uma pequena área relativamente plana, por vezes com um chão de lavas corroído pelo mar, é o nosso mundo. Tão pequeno como uma língua de terra.
De tão isoladas, algumas têm nomes como Fajã do Além ou Fajã das Almas.

Ao percorrermos a ilha de S. Jorge, a ‘ilha das fajãs’, temos vários miradouros que nos oferecem uma perspetiva clara desta forma de vida, limitada (ou uma oportunidade?) da natureza.

Um dos que tem uma perspetiva mais fiel é o miradouro da Fajã de Vimes.
Um olhar a pique, com a linha quase vertical da encosta e os pequenos rebordos de terra plana junto ao mar, ilustra bem a beleza natural e como o Homem vive numa ‘prisão natural’.


A primeira fajã que vemos é dos Vimes, seguimos a linha costeira e a próxima é muito mais pequena: a Fajã dos Bodes. Teve obras de melhoramento e, por vezes, a cascata da ribeira do Bodes atinge uma grande impetuosidade.

Do mesmo miradouro, em sentido contrário, mas também noutro olhar a pique, no final de um manto verde da encosta deparamos com meia dúzia de casas. É a Fajã da Fragueira, onde viveu o maestro e compositor Francisco Lacerda

O pai de Francisco Lacerda, João Caetano, viveu aqui muitos anos. Conta António Gomes, residente em S. Jorge,  que quando passava o navio do Continente que percorria o arquipélago dos Açores, o comandante manda colocar o navio de frente para o bico da Fragueira e dava três apitos. João Caetano içava a bandeira nacional num mastro improvisado e só depois o barco seguia viagem.

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