Chamam-lhe Miradouro da Transversal, mas o batismo peca por escasso. Deveria chamar-se “Miradouro Global”, tal é a imensidão da paisagem que se desdobra perante os nossos olhos.
Empoleirado numa das zonas mais altas da ilha de São Jorge, este varandim debruça-se sobre o canal, oferecendo uma plateia privilegiada para a majestosa montanha do Pico.
No horizonte, o Faial espreita e, naqueles dias mágicos em que o nevoeiro desce, as três ilhas fundem-se numa névoa mística, parecendo autênticas irmãs adormecidas no Atlântico.
Baixando o olhar para a encosta jorgense, a vista tropeça nos telhados da Ribeira do Nabo, na vila de Velas e na régua cinzenta da pista do aeroporto.
Mais perto, o vermelho vivo dos moinhos da Urzelina rasga o verde circundante, criando um postal perfeito em tempo real.
Contudo, mais do que aquilo que se vê, o que realmente arrebata neste lugar é o que se sente: o silêncio. Um silêncio denso, quase palpável, num recanto que parece propositadamente perdido na berma da estrada.
Estamos envoltos por um manto verde. Vegetação densa e compacta, que ondula encosta abaixo, protegendo a serra do vento e do sol, até se ir encontrar com as fajãs beijadas pelo mar lá ao fundo.
No miradouro propriamente dito, a natureza apresenta-se mais rasteira, mas igualmente teimosa, tentando engolir lentamente os muros de pedra basáltica que delimitam este espaço de lazer, perfeitamente equipado com fontanário e parque de merendas.
Estrategicamente encostado à EN3 — a espinha dorsal rodoviária que atravessa a ilha em largura —, este é um ponto de charneira.
Daqui, abrem-se os caminhos para explorar as maravilhas de altitude, servindo de elo de ligação para o imponente Pico da Esperança e para o idílico Parque Florestal das Sete Fontes.