Alfaiates ainda vive o declínio

O topónimo é de origem árabe mas os Romanos também devem ter passado por aqui. Foi sede de um concelho medieval onde se aplicaram os foros longos da região de Riba Côa, então em terras leonesas. A versão dos foros de Alfaiates é a mais primitiva de todas as do mesmo conjunto de textos numa época em que as povoações da região desempenhavam um papel importante nas lutas de fronteira. D. Afonso IX deu-lhe o nome de Castillo de Luna. Integrou o dote da rainha Santa Isabel. D. Dinis ordena a reconstrução do castelo, em 1297, e restitui-lhe o nome primitivo.

Portugal, O sabor da Terra, José Mattoso, Suzanne Daveau, Duarte Belo

A fortaleza ocupa  uma parte importante da povoação mas o seu valor parece ser ignorado. E não é só de agora.


O principal monumento de Alfaiates é o castelo e a dupla cintura de muralha, quadrangulares postas em losango.

D. Manuel mandou ampliar e reforçar a estrutura defensiva.

brasão real de D. Manuel
Brasão real de D. Manuel

Ainda lá está o brasão do rei, entre duas esferas armilares.
O trabalho foi concluído, parcialmente, em meados do séc. XVII, pelo governador da fortificação, Brás Garcia Mascarenhas, homenageado, entretanto, pelo povo de Alfaiates.

Brás Garcia Mascarenhas
Brás Garcia Mascarenhas

No entanto, com o declínio da função defensiva e da relevância da vila, duas torres do castelo estão em ruína, incluindo a de menagem.

interior do castelo
Interior do castelo

O castelo passou a cemitério e, em frente, o largo passou a ser da feira e deu origem a alpendres colocados nas paredes da cerca.
Mantêm-se e estão acompanhados de dois contentores metálicos de recolha de lixo.

vedações e área circundante ao castelo
Vedações e área circundante ao castelo

Em outras partes, a cerca também serve de parede para armazéns, hortas e casario.
Até há vedações de arame a proteger o acesso aos terrenos anexos.
Na verdade, apenas na área da porta principal se vê o aspeto original da fortaleza.

porta principal de acesso ao castelo
Porta principal de acesso ao castelo

Muito antes do declínio, Alfaiates teve fama. Em particular quando se casou, na igreja de S. Sebastião, a Infanta D. Maria, filha de Afonso IV, com D. Afonso XI de Castela.
Foi em 1297 e assinalou também décadas de acalmia na zona fronteiriça, depois da assinatura do Tratado de Alcanizes, que estabeleceu de forma definitiva a fronteira entre Portugal e Leão e Castela.

Antes do acordo era permanente o conflito e Alfaiates até tinha sido ocupada pelos portugueses um ano antes, em 1296.

A fronteira ficou mais distante, estes territórios passaram para a coroa portuguesa e as estruturas defensivas foram perdendo relevância. Até do ponto de vista administrativo. Alfaiates deixou de ser sede de concelho em 1836.

instalação alusiva à capeia arraiana
Instalação alusiva à capeia arraiana

O foral tinha-lhe sido concedido em 1209 por Afonso IX de Leão e, nesse documento, ficámos a saber os foros e costumes de Alfaiates.

Hoje, um dos legados culturais que mais se conhece é a capeia arraiana.


Trata-se de uma corrida de touros em que o animal se enfrenta contra populares que estão protegidos com um forcão.

Além do castelo, pode-se ainda visitar o Pelourinho, a igreja da Misericórdia e a igreja Matriz.

igreja Matriz
Igreja Matriz

A dois km, no caminho para a Srª da Póvoa, estão as ruínas do Convento de N. Sra. de Sacaparte.
Alfaiates tem ainda várias estátuas de pedra. Além da do Governador da fortaleza, tem uma
 de D. Dinis, junto a um café, e outra na praça, à beira da estrada principal.
Alfaiates fica a pouco mais de 13 km de Sabugal, a sede de concelho.
Alfaiates tinha registados 331 habitantes no Censos de 2011, um quinto do que tinha há 50 anos atrás, em 1960, quando foram recenseados 1543.

Alfaiates ainda vive o declínio faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e pode ouvir aqui.
Ver Roteiros no concelho de Sabugal