O charme da Casa da Ínsua com aroma do Brasil

Luis Albuquerque, antigo governador de Mato Grosso, tinha bom gosto. Não foi apenas o ouro do Brasil. Foi também a procura dos melhores artistas e das comodidades mais modernas da altura que o levou a construir um solar cheio de encantos.

Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres
Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres

Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres mandou construir a Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo, quando ainda estava no Brasil como Governador e Capitão-General de Cuibá e Mato Grosso. Uma estadia de 12 anos, entre 1772 e 1789.
siteG_insua1dA Casa da Ínsua é de estilo barroco, como quase todas as grandes construções do século XVIII.
Numa visita guiada que nos fez António Machado Matos, um profundo conhecedor da Casa da Ínsua, começa por nos chamar a atenção, logo na escadaria da entrada, para alguns objetos que vieram do Brasil. siteG_insua1l“Temos artefactos, panóplias de caça e pesca dos índios do Amazonas do século XVIII e armas castelhanas de lutas e escaramuças fronteiriças daquela época. No núcleo museológico da Casa da Ínsua há mais peças deste rico acervo”
O núcleo museológico foi criado em parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga há quase uma década e está divido em várias áreas. siteG_insua2d“O primeiro armazém onde estão três depósitos de cereais inteiramente reabilitados e que serve de receção aos visitantes. Os moinhos já eram movidos a eletricidade. Subindo, entramos na Sala da Família, com mapas, escritos, cópias de retratos… Depois, noutra sala, encontramos ilustrações originais do século XVIII e provenientes das viagens filosóficas de Alexandre Rodrigues Ferreira, entre 1783 e 1792, e que Luís Albuquerque acompanhou. Retratavam novas espécies de botânica, animais, peixes… siteG_insua1gHá outra coincidência feliz, também em Janeiro de 2019 serviu para a decoração de um serviço da Vista Alegre, a Amazónia, inspirado nomeadamente nas aguarelas destas viagens filosófica”.
siteG_insua1pNo entanto, um dos tesouros de Luís Albuquerque, uma valiosa biblioteca sobre o Brasil, foi destruída por um incêndio no século XX.
A decoração e o mobiliário da Casa da Ínsua preservam algumas peças originais, mesmo depois do restauro efetuado em 2009 quando o edifício foi convertido num hotel de charme.

Sala dos retratos
Sala dos retratos

Alguns espaços são de grande riqueza decorativa, como é o caso da Sala dos Retratos. Vemos os rostos e o gosto de “várias gerações. Desde o século XVI ao século XIX. O mobiliário é do século XVIII, está assinado e foi feito na Ínsua em 1780 pelo mestre Baltazar, marceneiro do Marquês de Pombal. Há também um aquecedor que de início funcionava com resistências metalo-cerâmicas e mais tarde foi adaptado a lâmpadas de aquecimento. Foi uma novidade na Feira Universal de Paris onde foi premiado.”
siteG_insua2mA mesma preocupação de equipamento moderno e peças com traço de requinte encontramos em muitos outros espaços da casa. Desde a cozinha aos salões. Tudo é feito com detalhes e materiais nobres. A decoração, o mobiliário, utensílios ou peças de arte. siteG_insua2bA família dos Albuquerque teve o cuidado de selecionar os melhores artistas e arquitetos. Um deles, Nicola Bigaglia, que projetou lareiras e um fontanário na Casa da Ínsua, conforme nos lembra Machado Matos, é uma figura conhecida em Portugal. É o primeiro vencedor do Prémio Valmor com o Palácio Lima Mayer em Lisboa.”
siteG_insua2fNo exterior da casa destaca-se o chafariz e dois jardins. “O jardim francês tem os desenhos do brasão, rosas, o jardim dos aromas… O jardim inglês é marcado por árvores de grande porte. Dos primeiros eucaliptos que vieram para Portugal, sequoias, pau santo… Temos ainda o tanque do cisne e ainda o canteiro das castas. Aqui podemos observar as várias castas utilizadas na produção de vinho da Casa da Ínsua.” siteG_insua2jDe uma das varandas, onde alguns hóspedes se costumam sentar e descontrair, tiram partido da vista dos jardins, de um ambiente calmo e de um horizonte que se alonga até às encostas dos montes aproveitados para a agricultura, em particular o vinho e a produção de maçã Bravo de Esmolfe.
Também no exterior encontramos a capela que é de visita obrigatória. Foi restaurada e tem as paredes e o teto cobertos com desenhos de cores intensas. siteG_insua2pMuita iconografia religiosa cobre as paredes e o altar-mor tem a imagem de Nossa Senhora Madre de Deus, a quem é dedicado o templo. A construção é “sobre uma capela mais antiga que data de 1668. Há uma inscrição que diz: Diogo e Albuquerque e sua esposa, Dona Escolástica Toscano instituíram esta capela em 21 de Outubro de 1668.”
siteG_insua1sO solar, numa zona da Beira Alta relativamente isolada, tinha no entanto telefone e muitos instrumentos do mais moderno que havia na Europa. Também foi das primeiras casas a produzir energia elétrica e até teve um alvará régio. “Nos finais do século XIX a casa e a quinta eram abastecidas por eletricidade produzida por uma central térmica própria. A partir de 1902 foi a partir de uma central hidroelétrica. Tinha ainda uma fábrica de gelo”. Era esta fábrica que abastecia de gelo o hospital de Viseu.
siteG_insua_queijaria1fA visita à Casa da Ínsua passa ainda pela zona agrícola que permitem aos visitantes usufruírem de várias experiências. Uma delas é passar a manhã com o pastor, ordenhar as ovelhas ou fazer um queijo Serra da Estrela.
siteG_insua1ePara quem é apaixonado por História pode aproveitar o ambiente para ler o Diário de uma viagem feita do Rio de Janeiro até Vila Bela, capital de Mato Grosso, em 1775, assinado por «Luiz d’Albuquerque de Mello Pereira e Caceres» que está disponível na Biblioteca Nacional Digital
A Casa da Ínsua integra a rede de Paradores e aceita visitas com marcação prévia. O núcleo museológico está aberto ao público em geral.
siteG_insua1hO charme da Casa da Ínsua com aroma do Brasil faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:Af_Identidade_CMYK_AssoMutualistaAssinaturaBranco_Baixo