É provável que vá ganhar algumas inimizades. Há quem tenha o exclusivo de uma das praias fluviais mais bonitas de Portugal e que é um segredo.
Um longo e alto desfiladeiro é atravessado pelo rio Ceira e termina com um pequeno açude que ajuda a formar uma piscina natural. É muito bonita. Forma um espelho de água que reflete as paredes quartzíticas das encostas como se tivessem sido cortadas a direito. Em alguns pontos atingem mais de uma centena de metros de altura.
O rio corre calmamente, num curso muito estreito e são poucas as pessoas que frequentam este lugar, muito pouco conhecido, embora seja do domínio público há alguns anos.

Por exemplo, está retratado num painel de azulejos nos Paços do Concelho da Lousã.
A envolvente é rural. Campos agrícolas. O mais estranho é um túnel, talvez com uma dezena de metros de profundidade, que fazia parte do projeto de uma ligação ferroviária entre a Lousã e Arganil e que nunca viu a luz ao fundo do túnel.

Antes de chegar ao desfiladeiro o rio Ceira atravessa quase todo o concelho de Góis. Este lugar é conhecido como Cerro da Candosa ou Desfiladeiro do Cabril.

No alto da encosta há a capela da Senhora da Candosa e um caminho que nos leva pelo meio do canhão rochoso.
Ao descer o cerro encontramos uma imagem sacra de madeira, com vários séculos – que Fátima Gonçalves, técnica de turismo de Góis, diz que vai ser recuperada – , e é também um lugar de peregrinação.
As encostas rochosas e íngremes são utilizadas para a prática de desportos radicais e o cerro está ainda associado à lenda da Senhora da Candosa.

Do alto da Candosa, onde está a capela, pouco se vê o curso do rio no desfiladeiro devido à profundidade e ao corte vertical das paredes quartzíticas.
A Junta de Freguesia de Vila Nova de Ceira tem, no entanto, um projeto que, se o conseguir concretizar, permite uma vista fantástica porque nos leva para o meio do desfiladeiro, a mais de uma centena de metros de altura e em cima de um chão de vidro.
Nas palavras de Fátima Gonçalves, que participou na elaboração do projeto, pretende-se atingir vários objetivos. “Além da prática desportiva o próprio passadiço tem uma dimensão reduzida, mas termina num auditório com piso de vidro”. É “como se o chão lhes fugisse dos pés”. Consegue-se ter a perceção da altura e da dimensão do desfiladeiro. “Simultaneamente há a perspetiva de inclusão. Permitir a toda a família, mesmo às pessoas com mobilidade reduzida, ver o desfiladeiro”. O projeto contempla ainda o recurso a meios audiovisuais
Deseja-se aliar a interpretação ambiental, o património religioso e o geológico.
O desconhecido e fascinante Desfiladeiro do Cabril faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.
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