O maior rio português que nasce em Portugal começa com um ligeiro fio de água. Mais parece uma fonte e em algumas épocas do ano o fio de água é intermitente. Ao lugar, na serra da Estrela, percebe-se porque deram o nome de “Mondeguinho”.

O Mondeguinho, a 1425 metros de altitude, na serra da Estrela, mais parece uma das típicas fontes de beira de estrada. Até, porque, na descrição de um comerciante do Sabugueiro, “de verão vai lá muita gente encher garrafões de água. Para a barragem de vale de Rossim também iam. Há uns anos, em quase todas as fontes, colocaram placas a dizer que a água é imprópria para consumo, mas as pessoas  não ligaram porque sabem que a água é pura.”

Este testemunho acentua a expectativa da pureza da água que surge a meio de uma encosta agreste marcada por blocos de granito, vegetação rasteira e algumas árvores.

A águia cai depois num pequeno lago e deixa de se ver.
Segundo a informação colocada ao lado, num painel do Parque Natural da Serra da Estrela, o Mondego inicia aqui um percurso de 227 km até à foz, no Atlântico, ao lado da Figueira da Foz. Outros documentos afirmam que a distância chega aos 258 km.

Somos tentados a atravessar a estrada e espreitar para a outra margem, para descobrir o início do caudal do rio, mas não vemos nada.
Apenas uma ampla e bonita paisagem dominada por blocos de granito e vegetação rasteira. Algumas árvores que estavam dispersas foram destruídas por uma vaga de incêndios.

O pequeno espaço do Mondeguinho também foi reformulado nos últimos anos. A Câmara de Gouveia fez algumas melhorias, por exemplo, no piso que antes era de terra e por vezes ficava em lama.
O lugar está sinalizado, mas não são muitas as pessoas que param.

O Mondego só o vamos descobrir mais à frente e com um percurso errante. Desce rapidamente a serra.

Mondego proximo dos passadiços do Mondego, Videmonte

Nos primeiros 50km desce 750 metros de altitude em direção a Noroeste. Como se contornasse a serra. Mas, depois, entre o concelho da Guarda e de Celorico da Beira, muda de ideias, faz uma cuva e desce para atravessar a região Centro.

Próximo da ponte de Mizarela

Não é um rio muito poluído. No passado chamava-se Munda, que significa pureza, transparência. Até Camões escreveu que “as delgadas claras águas do Mondego” eram um “doce repouso da minha lembrança”.

Livraria do Mondego

Mais de metade do percurso do Mondego é aberto, margens largas, até Penacova. Depois da Livraria do Mondego corre encaixado até Coimbra onde ganhou a fama de Bazófias, mas por várias vezes inundou a zona baixa da cidade e a planície de arrozais.

Coimbra

As barragens da Aguieira e Raiva controlam agora a sua imprevisibilidade o que permite um melhor aproveitamento para atividades no rio como é exemplo a passagem do Mondego por Coimbra.

Praia do Cabedelo – foz do Mondego

O Mondego no início é um Mondeguinho faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *